21/11/2008

IN(TRO)SETO: Uma Poética entre proliferações e contaminações

Projeto para a Pinaconteca do Centro Universitário Feevale



Dentro da Peça Dodecaedro


Projeção e Peça Dodecaedro


Peça Dodecaedro



Intervenção Baratas



IN(TRO)SETO: Uma poética entre proliferações e contaminações representa o processo de pesquisa que busca possibilidades de relações travadas entre obra e sujeito através de uma instalação. O termo foi escolhido pela minha necessidade, ao longo deste processo, de pensar a experiência de percepção corporal e todas as sensações possíveis geradas por ela É pensando nestas experiências e sensações que incorporo novos materiais como o acrílico espelhado, por exemplo, e o “uso de novos meios tecnológicos para expressar significado e novas idéias de tempo e espaço”[1] como a utilização de câmera de vídeo, impressão digital e projeção.


Não consigo determinar de forma restrita ou enquadrar minha produção artística em uma categoria específica. Para pensar nela foi preciso desmembrá-la para dar conta de sua complexidade. Segundo Tedesco em seu ensaio sobre instalação como campo de relações afirma que “o isolamento do conhecimento por disciplinas não consegue dar conta da complexidade da vida contemporânea.”[2] Visto que para mim o que mais me interessa é a criação, a idéia do que o material ou então a técnica. Primeiro a idéia, crio e conseqüentemente pondero a que possíveis categorias pertencem.

Podemos perceber que reconhecer minha obra ou pensar nela em uma categoria não foi nada fácil, considerando que caminho por campos da fotografia, da intervenção, percepção corporal, ponderações de lugares, interação, participação e transformação. Vale ressaltar que minha instalação é remontável exatamente como foi projetado, e que ganha em cada diferente espaço um novo contexto ”Nesse sentido, retomam a essência da escultura móvel, transportável, acrescentando-lhe a possibilidade de ser desmontada, mantendo assim a possibilidade de nomadismo do objeto artístico.”[3]

Minha proposição de trabalho baseia-se na necessidade de questionar os apontamentos para os seguintes conceitos: proliferação, contaminação e imersão. Ao longo do texto tento responder alguns questionamentos que surgiram durante a proposta. Entre eles, em que medida a experiência de proliferação amplia ou relabora as possibilidades de percepção e relação do público com as proposições aqui analisadas? De que forma ocorre os estados de proliferação e contaminação? Qual o lugar do espectador no trabalho na experiência de imersão? Qual o espaço que se abre a partir da imersão do espectador nesta experiência?

Minhas questões estão relacionadas às novas formas que o rebatimento proporciona através da imersão, a interação e transformação do sujeito frente à obra e ao fato de observar o outro vendo através da projeção.

O título e subtítulo desta obra IN(TRO)SETO: Uma poética entre proliferações e contaminações tentam dar conta de aspectos principais, conceitos e questões da minha produção artística. Desde imersão na conjunção entre imagem inseto e corpo espectador/agente até a transfiguração que ocorre da sobreposição obtida através dos espelhos. Entre os aspectos formais do meu trabalho podemos ressaltar a utilização de espelhos, adesivos, procedimentos digitais e projeção. Aos aspectos conceituais podemos citar a proliferação, contaminação, imersão, Mise en abyme e uma situação que se configura em ver o outro vendo.

Através de um objeto na forma de um dodecaedro, apresento um ambiente que insere o espectador com a cabeça na obra, estabelecendo leituras além dos elementos apresentados. Dentro dele há um experimento com fotografia digital, manipuladas no computador e impressas digitalmente sobre o acrílico espelhado, este constitui as faces internas da peça. Esta produção fotográfica se concretizou através de uma experiência em que buscava estabelecer possibilidades entre o corpo humano e corpo inseto, um escaravelho.

A inserção da cabeça na peça possibilita ao espectador uma sensação de espaço quase infinitamente, pois as faces internas da peça se rebatem inúmeras vezes. Surgem novas ponderações quando acrescento no interior do objeto uma câmera de vídeo. De uma situação de reflexos, multiplicação da imagem e relações entre corpo e escaravelho nasce um novo artifício, que é apresentado através da projeção em tempo real, obtida pela câmera: a relação entre espectador e obra, que agora se torna transformador dela. É como se a intimidade estabelecida pelo ambiente interno fosse desvendada para o exterior, como o escaravelho para o corpo.
A idéia de proliferação tem como referência inicial em minha coleção de insetos que improvisava quando criança. E mais tarde nas intervenções contínuas da mesma imagem, a barata, quando colo os adesivos durante meu dia-a-dia em lugares diversos Os conceitos partiram principalmente desta idéia de multiplicação e continuidade.

Num primeiro momento meus objetivos eram de desenvolver um ambiente que envolvesse corporalmente o espectador através das fotografias. Este corpo deveria relacionar-se com minha experiência fotográfica de introduzir o escaravelho na intimidade corporal humana. À medida que o trabalho foi tomando forma o espelho e a projeção foram incorporados à produção evidenciando questões pertinentes como ver o outro vendo, o rebatimento de espelhos impressos por fotografia, projeção como um dado novo, possibilitando outras leituras além de simplesmente a obra envolver corporalmente o espectador através da imersão com a cabeça.


[1] RUSH, Michael, 2006, p. 1.
[2] TEDESCO, Elaine. Disponível em: . Acesso em: 29 out. 2008.
[3] Ibidem.




2 comentários:

Luciana Giacomelli disse...

ii...

Mirela disse...

Parabéns Lu!
Mal posso esperar para ver a exposição!
Adorei as moscas, é gif animado?...
Teu blog precisa de um inseticida... hahaha...